Depois de Bordeaux, o Vale do Rhône (Vallée du Rhône) é o segundo maior vinhedo da França, com mais de 65.000 hectares. Sua história começa no século I a.C., quando os romanos deram início à vitivinicultura, mas seu reconhecimento só ocorreu por volta de 1305, com a chegada do Papa Clemente V em Avignon. Lá, alguns anos mais tarde, o papa João XXII construiu um castelo de veraneio, dando nome à Châteauneuf-du-pape, que mais tarde se tornaria a região mais conhecidas do Vale do Rhône. Ele e todos os papas que vieram depois favoreceram a produção de vinho local.
A região se estende do sul de Lyon ao sul de Avignon e recebe esse nome por causa do Rio Rhône (Ródano, em português). Esse nasce nos Alpes Suíços e desce pela França até desembocar no mar mediterrâneo, nas proximidades de Marselha. O clima é quente e ideal para o cultivo de uvas como Syrah e Grenache, as estrelas dos tintos da região. Soma-se ao calor o vento Mistral que percorre a região protegendo as uvas de possíveis pragas. Seu solo é variado, mas sua topografia costuma ser acidentada. As cepas utilizadas são várias, mas as principais são Grenache, Syrah, Mourvèdre, Carignan e Cinsault para os tintos e Marsanne, Roussanne, Viognier, Grenache Blanc, Clairette e Muscat para os brancos.
O vale do Rhône é dividido em duas grandes regiões: meridional e setentrional. Na primeira, reina a cepa Grenache que dá a seus vinhos aromas de pimenta recém-moída. As principais A.O.C.’s (em português, denominações de origem controlada) são: Châteuneuf-du- Pape, Gigondas, Vacqueyras, Lirac, Tavel, Beaumes de Venise, Rasteau, Côtes-du-Rhône- Villages, Côtes du Luberon, Côtes du Ventoux, Côtes du Vivarais e Costières de Nîmes. As principais A.O.C.’s da parte da setentrional são: Côte Rôtie, Saint Joseph, Cornas, Hermitage, Crozes-Hermitage, Condrieu, Château Grillet, Saint-Péray e Clairette de Die. Comum às duas regiões temos Côtes-du-Rhône, uma appellation que podemos chamar de genérica já que uma vez assim marcado, o vinho pode vir de qualquer região ao longo de quase todo o rio Rhône. É a maior de todas as appellations com aproximadamente 7.700 hectares.
Cada uma das appellations tem suas características, mas podemos ressaltar algumas delas. Procurando um rosé, vá de Tavel que produz um dos rosés mais reconhecidos no mundo; se quiser vinhos efervescentes, Saint-Péray ou Clairette de Die; querendo brancos experimente Condrieu ou um Château Grillet, famosa appellation de uma propriedade só; para os tintos vai do gosto pessoal. Para vinhos 100% Syrah, escolha os da região setentrional como Crozes-Hermitage, Cornas ou Saint-Joseph. Na região meridional, os mais famosos vêm de Châteauneuf-du-Pape e Gigondas. Se jogue no Vale do Rhône e conheça seus vinhos ricos e deliciosamente condimentados. Opção é o que não falta.
Ilustração: Marcelo Tolentino