O Champagne é uma das bebidas de maior prestígio no mundo e, dentre as grandes maisons de Champagne, a da viúva Clicquot tem uma das histórias mais interessantes e incomuns. A empresa foi fundada em 1772 por Philippe Clicquot que, anos depois, passou-a para o filho, François Clicquot. François casou-se com a jovem Barbe Nicole Ponsardin e, sendo um homem diferente dos outros de seu tempo, envolveu sua mulher nos negócios da família, ensinando-a sobre a bebida. Em 1805, quando Barbe tinha apenas 27 anos, François morreu. A então viúva assumiu o controle da empresa e acabou por se tornar uma das primeiras “mulheres de negócio”.
O termo “veuve” (viúva em português) só foi acrescentado ao champagne em 1810, ano em que foi feito o primeiro champagne millesimé, ou seja, de uma única safra. Mas a viúva não foi apenas uma mulher bem sucedida, ela também revolucionou a produção de champagne ao inventar a “remuage”, processo através do qual se retira os depósitos provenientes da segunda fermentação. Para isso, Madame Clicquot criou uma mesa com furos, onde eram encaixadas as garrafas de ponta cabeça para que os depósitos se acumulassem no gargalo para posterior remoção.
Após anos de dedicação ao negócio, Madame Clicquot se aposentou aos 67 anos, passando a empresa para os cuidados de seu sócio Edouard Werlé. Em 1866, com 89 anos, a viúva Clicquot faleceu deixando um enorme legado e um nome que hoje é sinônimo de excelência.
Hoje em dia a Veuve Clicquot Ponsardin faz parte do grupo francês LVMH junto a outras marcas como Krug, Moet & Chandon, Don Perignon e Mercier. Possui 500 hectares que cobrem apenas 25% da quantidade de uvas necessárias, tendo que comprar os outros 75% de fornecedores da região. Seus champagnes se caracterizam pela predominância da cepa pinot noir, variando a sua porcentagem conforme o tipo de champagne. Quanto mais refinado for o champagne, maior a proporção dessa cepa. O brut mais comum normalmente tem um corte com 50% de pinot noir, 30% de chardonnay e 20% de pinot meunier, apresentando variações de vez em quando. Já o excelente champagne La Grande Dame não leva pinot meunier.
Em Reims, é possível visitar a grande cave da Clicquot. Construída em 1910 e com 24 quilômetros, ela abriga todo o champagne produzido, o que está passando pela segunda fermentação, pela “remuage” ou mesmo o que está envelhecendo e ganhando complexidade. Numa parte reservada encontram-se os champagnes de safras antigas, sendo 1904 a mais antiga de todas elas. No final do tour é possível degustar e comprar os champagnes e acessórios da Veuve Clicquot. Para os que tiverem a oportunidade, é um belo passeio. Abaixo, algumas fotos da minha visita ao local.
Viúva Clicquot
"Pupitre" :versão da mesa mais moderna. Porém hoje em dia apenas uma parte é manual.