De toda a produção mundial de uvas, três quartos são destinados a produção de vinho merecendo assim, a nossa atenção.
Existem quase mil variedades diferentes de uva (Vitis Viunífera é seu nome científico), cada uma com suas características próprias. O ponto em comum entre elas é a sua constituição básica de 85% de água, 13% de açúcar e 2% de pele e sementes. Porém, apesar de sua simples constituição, essa fruta é um tanto exigente quanto ao solo, temperatura, umidade enfim, quanto ao terroir.
Uvas não gostam de extremos. Assim, o ideal são dias longos, ensolarados e mornos com noites frescas. Quanto à irrigação, nada muito seco ou muito molhado já que quanto mais as raízes tiverem que trabalhar para encontrar água e nutrientes melhores serão seus frutos. O solo preferido das videiras é aparentemente ruim: seco, cheio de cascalhos, pedregulhos e constituído de areia, argila, pedra calcária e granito entre outros. Esses são os tipos de solo que obrigam as videiras a trabalhar bastante, obtendo como recompensa excelentes uvas. Por último, mas não menos importante, está a altitude do lugar onde são plantadas as videiras. As uvas gostam de lugares mais altos e inclinados, onde tem uma melhor exposição ao sol e melhor drenagem natural do solo.
Cada componente da fruta tem um papel diferente na produção do vinho. Olhando mais de perto e desmembrando- a temos os seguintes componentes: os pequenos ramos do cacho, pele, polpa e sementes.
Ramos: são compostos por água, tanino e ácidos. Tem por função dar a acidez e a adistringência necessárias ao equilíbrio do vinho.
Pele: formada por pigmentos, tem por principal função dar cor ao vinho durante a masseração. É coberta por uma camada de cera cinzenta onde estão as reservas de fermento. Seu papel é transformar o açúcar em álcool durante a primeira fermentação.
Polpa: composta por água, açúcar e ácidos. A água é o componente presente em maior quantidade no vinho e os açúcares serão transformados em álcool pelas leveduras, como dito anteriormente.
Sementes: possuem um material oleoso que ajuda o vinho a conservar seu gosto e seus aromas. Porém, não devem ser esmagadas, pois desprendem um tanino amargo prejudicial ao equilíbrio do vinho.
Assim, quando desconstruímos a uva, vemos como essa pequena fruta, aparentemente simples, pode ser complexa. Cabe aos produtores levar cada fator em consideração na hora de criar suas videiras e produzir seu vinho. Um trabalho um bocado meticuloso e que demanda bastante atenção.